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Ambiência e arquitetura


O conceito de ambiência trazido na Política Nacional de Humanização no âmbito do Ministério da Saúde é definido como espaço físico, social, profissional e de relações interpessoais que deve estar relacionado a um projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora, resolutiva e humana. Assim, se compreende que os modos como se compõe essas ambiências produzem determinados efeitos e alterações nos processos de trabalho e nas relações de convivência num determinado lugar. Portanto, o espaço deve ir além dos aspectos físico, funcional e normativo, construindo-se espaços acessíveis e inclusivos, que permita a circulação e autonomia de trabalhadores, usuários e familiares nesses serviços.

Ao adotar o conceito de Ambiência para a arquitetura nos espaços da Saúde, vai-se além da composição técnica, simples e formal dos ambientes, passando a considerar as situações que são construídas. Como elementos contribuintes na ambiência hospitalar destacam os componentes da Política Nacional de Humanização entre eles a luz, a morfologia, o cheiro, os sons, a sinestesia, a cor, a arte, o tratamento de áreas externas, a privacidade e a confortabilidade. São componentes que se somam propiciando áreas ambiências acolhedoras e harmônicas que possam contribuir para a promoção do bem-estar. Um novo olhar que considere estes aspectos ajuda a desfazer o mito de que esses espaços que abrigam serviços de saúde frios e hostis (2).

O conceito de AMBIÊNCIA segue primordialmente três eixos:

• O espaço que visa à confortabilidade focada na privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos, valorizando elementos do ambiente que interagem com as pessoas – cor, cheiro, som, iluminação, morfologia...–, e garantindo conforto aos trabalhadores e usuários.

• O espaço que possibilita a produção de subjetividades – encontro de sujeitos – por meio da ação e reflexão sobre os processos de trabalho.

• O espaço usado como ferramenta facilitadora do processo de trabalho, favorecendo a otimização de recursos, o atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo.

Informação, sinalização e acessibilidade - os serviços de saúde devem contemplar projetos de sinalização e placas de informação de toda ordem, e também facilitação física para acesso, que não excluam pessoas com deficiência visual ou que usem cadeiras de rodas ou muletas, ou ainda que não saibam ler, que tenham linguagem clara e representativa, identificando os espaços e suas funções (1). A identificação de um ambiente organizado e limpo, com fluxos definidos é fundamental no ganho de confiança, tanto dos profissionais quantos de pacientes e familiares. Atualmente a disciplina de Design tem ingressado na área de saúde com a expectativa de facilitar o alcance desses objetivos.

Ambiência passa, na saúde, retratada como um método de inclusão, que propõe e integra uma composição de saberes que tende potencializar o ambiente para mudanças. Norteada por três eixos principais o primeiro conduz a reflexão do espaço que visa a confortabilidade, o segundo o espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho e por último a ambiência como espaço de encontros entre os sujeitos. Ao colocar o conceito de ambiência para os espaços de tratamento da saúde, adquire-se um avanço qualitativo para a humanização, principalmente quando falamos do eixo de construção de práticas que contribuam para o sistema de saúde (3).

É válido ressaltar que a reestruturação do ambiente hospitalar deve envolver a própria estrutura física e também a organização das relações. São várias as situações em que a própria estrutura física hospitalar não favorece a permanência do familiar na unidade de internação e em que a equipe de saúde nem sempre se mostra acolhedora à família, que vivencia, muitas vezes, um processo de intenso sofrimento (4).

No cotidiano hospitalar, observamos que os espaços físicos, embora sendo os mesmos estruturalmente, modificam-se a cada momento, de acordo com a atuação humana e as intervenções de saúde que se processam continuamente. Assim, um ambiente limpo, arejado e inodoro pode se transformar, num segundo, em um ambiente sujo, asfixiante e malcheiroso. Nesse sentido, os trabalhadores da limpeza executam suas atividades de higienização, propiciando um ambiente que favoreça a saúde física e mental (5).

Os procedimentos de limpeza no hospital preparam o ambiente para a realização das atividades cotidianas, pois removem os microrganismos causadores de contaminação. Essa percepção, porém, abrange a limpeza apenas em seus aspectos técnicos, pois, mais do que remover microrganismos causadores de doenças, a limpeza representa uma condição de nossa própria sobrevivência, dado que dela depende o nosso conforto e bem-estar, a fim de que a permanência nesse ambiente seja possível.

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